segunda-feira, 15 de junho de 2015

Boina Cáritas - versão fingering

Boina Cáritas



Essa boina foi projetada a partir de um ponto pelo qual me encantei. Resolvi transformar em algo que eu pudesse usar. Como minha velocidade no tricô após a epicondilite lateral e a tendinite no punho não está lá essas coisas, precisava ser uma peça pequena, rápida.

O nome Cáritas vem do latim carita, que significa amor. Também pode ser aplicado à realização desinteressada do bem para o próximo, caridade. E é por isso que nomeei essa receita assim. Muitas pessoas sugeriram que eu vendesse a receita, mas prefiro apelar para seu espírito de cáritas: se você gostou dessa boina e pretende tecê-la, considere fazer uma doação para uma das instituições listadas abaixo ou para alguma próxima a você. Considere ainda tornar a gentileza uma prática diária. Tenho certeza que você vai entender essa mensagem e colaborar para tornar o mundo um lugar melhor.

Instituições:
Sociedade Viva Cazuza - http://www.vivacazuza.org.br/

Agradecimentos
Essa receita nunca teria sido possível sem a ajuda de algumas pessoas especiais. Meus sinceros agradecimentos à Suzane, que acreditou mais que eu que seria possível voltar a tricotar. Frô, você não imagina o que isso significou para mim. Meu abraço enternecido à Hilda, que acreditou na minha capacidade de transformar a vontade e a ideia na realidade que se apresenta agora. Hildaaaa, sua capacidade de aprendizado me inspira.

Obrigada também à Lia, que me contou seu próprio caso de epicondilite e, com isso, me deu esperança de não só voltar a tricotar, mas de ser boa nisso de verdade um dia. Meu imenso agradecimento pela ajuda com o gráfico pegadinha.

Agradeço também à Daísma, que se dispôs a testar a receita (assim como as moças mencionadas acima) prontamente, mesmo que só tenhamos nos visto pessoalmente uma vez. Agradeço também pela imensa dedicação ao trabalho que permitiu encontrar todos os erros que foram corrigidos. Sucesso pro Blog-by-day!

Esta boina veste mulheres M e G.

Amostra: 39 pontos em barra 1x1 torcida em 10 cm.
Vamos à receita! Bom tricô!

Materiais
1 novelo de Cisne Bebê Todo Dia
Agulha circular 3mm de 40 cm ou de 80 cm (usando o laço mágico)
Agulha circular de 4mm de 40 cm ou de 80 cm
Jogo de agulhas de duas pontas de 4mm (opcional para realizar as diminuições da boina. Não são necessárias se você usar o laço mágico)
Agulha de arremate
Marcadores de pontos

Instruções
Monte 154 pontos com a agulha 3mm e juntar para trabalhar em círculo. Você pode já colocar os marcadores a cada 22 pontos (7 repetições), usando um marcador diferente para indicar o início da carreira.

Trabalhe por 11 carreiras em barra 1x1 torcida (ponto meia torcido). Na próxima carreira trabalhe a mesma barra, colocando os pontos feitos na agulha 4mm.

Clique sobre a imagem para visualizar melhor


Trabalhe a parte colorida do gráfico 3 vezes.

Agora vamos iniciar a parte branca do gráfico, que mostra as diminuições. Nesse momento, se você não estiver trabalhando com o laço mágico pode ser desejável passar os pontos para as agulhas de duas pontas.

Após trabalhar as diminuições você deve ter 4 pontos entre cada um dos marcadores. Trabalhe por duas carreiras acompanhando os pontos, faça uma carreira de 2 pontos juntos em meia torcido, corte o fio com sobra. Passe o fio por dentro dos pontos que estão nas agulhas enquanto remove os marcadores, usando uma agulha de arremate. Puxe o fio até fechar o topo da boina e arremate. Esconda o fio do começo do trabalho no avesso e está feito!

Transcrição do Gráfico*

*Atenção! Essa transcrição não foi testada. As pessoas que testaram a receita trabalharam pelo gráfico. Se tiver dúvidas ou se algo não encaixar, por favor, verifique o gráfico e me avise para que eu possa corrigir.

Abreviações:
Mt – meia torcido
T – tricô
2jm – 2 pontos juntos em meia
2jmt – 2 pontos juntos em meia torcido
1 – pegar um ponto (conforme indicações abaixo)
S2jmp – Deslize um ponto, faça 2 juntos em meia e passe o ponto deslizado sobre eles
Repetição
1)    (mt, t) x 4, mt, 2jm, 1, t, 1, 2jmt, (mt, t) x 4
2)    (mt, t) x 4, 2jm, 1, mt, t, mt, 1, 2jmt, (t, mt) x 3, t
3)    (mt, t) x 3, mt, 2jm, t, 1, mt, t, mt, 1, t, 2jmt, (mt, t) x 3
4)    (mt, t) x 3, 2jm, 1, mt, t, mt, 1, mt, t, 2jmt, (t, mt) x 2, t
5)    (mt, t) x 2, mt, 2jm, t, mt, t, mt, 1, mt, t, mt, 1, t, mt, t, 2jmt, (mt, t) x 2
6)    (mt, t) x 2, 2jm, (t, mt) x 2, 1, mt, t, mt, 1, (mt, t) x 2, 2jmt, t, mt, t
7)    mt, t, mt, 2jm, (t, mt) x 2, t, 1, mt, t, mt, 1, (t, mt) x 2, t, 2jmt, mt, t
8)    mt, t, 2jm, (t, mt) x 3, 1, mt, t, mt, 1, (mt, t) x 3, 2jmt, t
9)    10) 11) e 12) (mt, t) x 11

Diminuições
13) mt, t, 2jmt, (mt, t) x 7, mt, 2jm, t
14) mt, t, mt, mt, t, (mt, t) x 6, mt, mt, t
15) mt, t, 2jmt, t, (mt, t) x 6, 2jm, t,
16) mt, t, (mt, t) x 7, mt, t
17) mt, t, 2jmt, (mt, t) x 5, mt, 2jm, t
18) mt, t, mt, mt, t, (mt, t) x 4, mt, mt, t
19) mt, t, 2jmt, (t, mt) x 4, t, 2jm, t
20) (mt, t) x 7
21) mt, t, 2jmt, (mt, t) x 3, mt, 2jm, t
22) mt, t, 2jmt, (t, mt) x 2, t, 2jm, t
23) mt, t, 2jmt, mt, t, mt, 2jm, t
24) mt, t, 2jmt, t, 2jm, t
25) mt, t, S2jmp, t

Observações importantes

O “1” do gráfico significa pegar um ponto na carreira de baixo. Você deve pegar esse ponto no fio que está entre o próximo ponto da agulha esquerda e o ponto imediatamente abaixo do que está na sua agulha direita quando estiver fazendo o primeiro “1” da linha do gráfico. Para o segundo, encontre o equivalente oposto, ou seja, o fio que está entre o ponto que está na sua agulha direita e o imediatamente abaixo do que está a sua agulha esquerda. Isso vai formar um buraquinho mais discreto do que se esse aumento fosse feito com laçada.

O ponto meia torcido é feito introduzindo a agulha direita na alça de trás do ponto que está na agulha esquerda. Da mesma forma, os dois pontos juntos em meia torcidos são feitos introduzindo a agulha direita na mesma posição, em dois pontos da agulha esquerda e trabalhando-os juntos.

Você pode alterar o tamanho da boina aumentando ou diminuindo repetições do gráfico, ou seja, trabalhando com múltiplos de 22 pontos. Faça amostra e verifique quantas repetições você precisa. Eu trabalhei com 7 repetições porque não gosto de nada me apertando gosto que as boinas envolvam minha cabeça com suavidade. Note que alterando a quantidade de repetições, você irá alterar o desenho do topo, pois cada repetição forma uma das pétalas da flor.


Em honra de meu pai, Álvaro e de minha mãe, Angela. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Em breve 2.... Coming soon 2


A primeira boina fez sucesso, mas muita gente ficou receosa por usar fio de bebê. Como eu ando in love com o Tubinho, da Aslan, resolvi fazer uma versão com agulhas grossas, cuja receita também devo lançar em breve.



O que acharam?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Gorro Sexta-feira... Friday hat



Fiz esse gorro em um dia. Primeiro, na foto acima para meu enteado. Depois repeti numa sexta-feira para meu irmão caçula, que eu ia visitar no sábado.

Usei o fio Tubinho, da Aslan, e agulha circular 4mm 80cm (laço mágico), que você pode comprar aqui.
Gastei menos de meio novelo para fazer um gorro que serve em meninos de 10 anos, mas também serve em mim, mulher adulta média. O fio rende muuuuito, tem caimento, brilho e qualidade superior aos acrílicos a que estamos acostumados.

Receita

Monte 80 pontos na agulha circular 4 mm, colocando marcadores a cada 10 pontos, usando um diferente para marcar o começo da carreira. Junte para trabalhar na rodada. 
Tricote por 6 carreiras em barra 1x1 e passe a tricotar em broken rib (barra quebrada, numa tradução livre)* por mais 40 carreiras.
Para as diminuições trabalhe acompanhando a carreira da broken rib até dois pontos antes do marcador, faça-os juntos, passe o marcador e repita até o fim da carreira. Repita as diminuições dessa forma até que tenha 8 pontos na agulha. Corte o fio com folga, passe por dentro dos pontos que estão na agulha, puxe o fio e esconda a ponta. 

Broken rib
Pontos múltiplos de 2
1ª carreira - todos os pontos em meia
2ª carreira - *1 meia, 1 tricô*


Em breve... Coming Soon

Criei essa receita após me recuperar da tendinite e da epicondilite. É símbolo da minha alegria por recuperar minha saúde.

Resolvi fazer essa boina porque apaixonei por esse ponto que vi num site russo, mas acabei descobrindo que o gráfico abaixo do ponto era uma pegadinha, não dava o resultado esperado.

Então resolvi decifrar o ponto " no olho", mas acabei tricotando sem desenhar ao mesmo tempo e agora estou contando com a ajuda de pessoas muito bacanas para me ajudar a testar e consertar a receita que escrevi: Lia, Day, Suzane e Hilda





Forma-se uma flor de sete pétalas no topo da boina/gorro slouch.


Esse é o bendito desenho do ponto pelo qual me apaixonei. Na cabeça.


Aqui, fora das agulhas, finalmente. Um parto. Com uma grande alegria. 

Se você gostou dessa boina, não se preocupe. Lançarei a receita em breve. Assim que o final dos testes acontecer. Ainda não sei exatamente onde vou publicar, mas todos ficarão cientes, podem ter certeza. :)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O que eu fiz enquanto não podia tricotar















Eu frivolitei enquanto não podia tricotar. Comecei a fazer brincos e marcadores de livro, algumas experiências com tentativas de toalhinha de criado mudo. 

Vocês podem encontrar bons vídeos mostrando motivos em frivolitè aqui

Aos poucos vou atualizar o blog a respeito das coisas que fiz em tricô antes, durante e depois da tendinite e da epicondilite. Beijos.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Porque sumi...

Olá, pessoal.

Este post é para explicar porquê andei tão sumida.
Meu penúltimo post foi em julho de 2013 e depois dele postei em agosto de 2014. Mais de um ano de intervalo entre eles e 8 meses desde o último post efetivamente.

Acontece que 2013 foi um ano corrido para mim. No início do ano eu ainda estava envolta com uma doença na família, em maio comecei a estudar para concurso novamente, em julho fiz prova, em setembro meu nome tava lá, na homologação no Diário Oficial... E assumir esse concurso mudaria muita coisa, eu precisaria mudar de casa e tudo mais. Meu marido assumiu em dezembro, nos mudamos e eu fiquei trabalhando há 100 km de casa. A previsão era que eu assumisse em fevereiro de 2014, mas acabou que a nomeação só aconteceu em fins de maio. Nesse tempo em que eu estava trabalhando longe de casa, aproveitei as mais de 4 horas diárias no ônibus para tricotar.

Em setembro de 2013 eu também reencontrei meus irmãos por parte de pai. São 6. Isso significa que de 2 irmãos eu pulei pra 8!

Enfim, de 2013 para 2014 foram grandes mudanças. Acontece que assim que eu comecei no novo trabalho, em junho de 2014, digitação pura, eu quebrei. Tive tendinite no punho e epicondilite lateral. Saí de casa para o hospital com uma dor insuportável nesses dois pontos. Voltei de lá engessada. Eu sabia que teria de dar um tempo no tricô, mas não imaginei que seria tão longo.

Minha recuperação ainda está em andamento. Sim, são quase 10 meses. E nesse tempo eu perdi e recuperei as esperanças de voltar a tricotar inúmeras vezes. Passei por uma série de tratamentos e uma autoanálise profunda. Teimosamente eu tricotei. Muito pouco comparado ao que fazia, mas uma forma de manter para mim mesma a certeza de que eu conseguiria.

A primeira coisa que descobri é que não podemos violentar nossos corpos fazendo algo que não desejamos. A outra coisa que descobri é que cada desequilíbrio emocional cobra seu preço. E que adoecer nunca é unifatorial. Doenças, quaisquer que sejam, tem múltiplos aspectos. Os meus foram: estresse emocional, repetitividade, falta de exercícios, falta de conhecimento sobre a importância dos alongamentos, estresse profissional, entre outros. E aí, obviamente só o anti-inflamatório não resolveria, como não resolveu.

Fiz fisioterapia, usei luva com tala e tensor no cotovelo, tomei anti-inflamatórios, estou fazendo acupuntura ao mesmo tempo que procuro me aproximar de mim mesma e me conhecer melhor. Resolver minhas pendências internas.

Só de fevereiro para cá é que recomecei realmente a tricotar encorajada pela minha acupunturista. Um pouquinho todo dia. E eu descobri que isso é melhor que nada.

Ainda sinto dor todos os dias. Alguns dias são piores que outros. Mas hoje eu sei lidar melhor com a dor e parei de temê-la. E também sei que pode levar anos, mas ela vai embora.

Vou tentar mostrar tudo que está atrasado e, aos poucos, compartilhar o que aprendi sobre essas doenças e o que me ajudou e continua me ajudando a superá-las. Duas coisas importantes são: tempo... e gelo.

Até a próxima!